Palavras para ninguém…

Eu queria ter sempre palavras, as palavras certas, as palavras que escrevessem realmente o que quero dizer, que fizessem frases, textos, rimas talvez, palavras que flutuassem entre a prosa e a poesia, que lhes dessem um novo significado. Palavras que apenas dessem outro significado às próprias palavras, ao discurso, à conversa, palavras que fossem mais do que apenas palavras que fossem sopros, que fossem brisa, palavras que o vento leva e não traz de volta, palavras que são levadas sem destino, mas que sabem sempre onde chegar.  Não queria ter algumas palavras que tenho, palavras que se curvam e se desformam… que se unem com o simples intuito de convencer, de modificar, de fortalecer o maléfico. Queria ter magia para fazer outras palavras, palavras que formassem um mundo, um universo de coisas até agora nunca pensadas por falta de palavras… Eu queria, mesmo, ter as palavras mais simples para poder dizer, sem destruir, sem violar… sem errar, queria muito poder fazer desenhos de palavras sem som, sem lingua, só com letras e ritmo para que os desenhos pudessem dançar ao som das suas proprias palavras, num timbre quente e confortavel, numa página escura… Queria, queria, queria às vezes quero tudo, outras vezes apenas no silêncio ser ninguem, ninguém é quem queria ser, eu queria ser ninguém… De que servem as palavras?

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