Quarto minguante…

                                                                                     Continuo às avessas com esta coisa da minha intuição nunca falhar…O poder da intuição. Desagrada-me profundamente, principalmente quando sei que as coisas não vão ser como eu quero. Sofro por antecipação, sofro na continuidade e sofro no final. Não estou a encarnar um papel de uma qualquer Maria Madalena, porque aliás não tem nada a ver comigo, chateia-me ser tão parva e não acreditar naquilo que sinto. Na realidade, eu até acredito, mas faço tudo para que não seja assim. Estou em cinza, fizeram questão de apagar a bola de fogo que tinha guardada no coração, levei com um balde de água fria, um mar de água fria. E sempre soube que isso ia acontecer. Mas desde a pré-história que é assim, não se escolhe o que se sente, e eu que passava a vida a gozar o amor, e a levantar forçosamente amigos caidos nessas teias, enfim fui apanhada. Não queria, juro que não queria. Mas pouco ou nada pude fazer, aliás acho que nenhum dos dois fez nada para que isso acontecesse, mas absurdo dos absurdos, aconteceu, tinha realmente de ser uma coisa absurda a condizer comigo, tinha de ser alguma coisa, sem lógica, sem pés nem cabeça. A parte má, até nem foi acontecer, a parte má foi simplesmente na verdade não ter acontecido nunca. Neste momento penso nas pessoas a quem fiz sofrer, quem me dera nunca o ter feito, não sabia o quanto dói apagarem-nos a bola de fogo, não sabia o que era sentir-me em cinza. Mas não se escolhe o que se sente e é preferivel sofrer com a verdade do que viver na mentira. Se pudesse voltar atrás proibiria-me de algum dia poder magoar alguém, assim da forma como sei que o fiz.

Como sou uma miúda optimista sei que uma coisa boa no meio de isto tudo aconteceu, descobri que afinal também tenho sentimentos, não sei é o que fazer com eles. Descobri que afinal também me podem magoar e que não sou alheia a essas coisas. Descobri que é preciso estar com as tripas do avesso para conseguir chorar. Descobri que quando doi as lágrimas são gordas e caem sincronizadamente. Descobri que a minha imagem de perfeição tem de mudar porque o actor principal demitiu-se. Descobri que quando sinto, as palavras traem-me e tudo fica por dizer. Descobri que não sou fiel à minha intuição e que odeio querer o que não é para ser meu. Descobri alguém especial que precisa de uma miúda mais especial que eu. Descobri que  preferia não ter feito nenhuma destas descobertas, mas que chorar, praguejar e espernear alivia a coceira que tenho de tanta cinza.

No fim quando toda esta revolta mental despovoar a minha casa, espero que pelo menos tenha servido para acrescentar um elemento ao meu universo, porque sei que vale a pena que simplesmente faça parte dele. Quero isso. E quero mais, quando toda esta revolta mental despovoar a minha casa, quero agradecer ao meu muro de lamentações que me atura até às tantas da madrugada e ainda não tendo o segredo mágico que nos cura, tem a companhia, a palavra amiga que sempre diz se for para cortar os pulsos ter cuidado para não sujar a carpete, quando for para cortar os pulsos corto-os contigo. E sabes? Tenho a lua à janela a querer entrar, inevitavelmente faz-me lembrar o alguém especial, porque sonho repetidamente que ele é o gato da alice no pais das maravilhas e a lua tem exactamente a forma do seu sorriso. Está em quarto minguante, e quer entrar pela janela. Esta em quarto minguante e daqui a alguns dias não se vê. Está em quarto minguante e vai desaparecer. Está em quarto minguante.

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